Este é meu livro, O Mundo Silencioso de Laura, lançado em 13/11/2016, na Feira do Livro de Porto Alegre. A responsável pela publicação foi a Editora Conceito, com sede na capital gaúcha. 

O livro conta a história de Laura (uma menina com deficiência auditiva) desde a gravidez de sua mãe até o início da vida adulta, com todos os desafios que enfrentou. O nome do livro foi inspirado no meu avô, Lauro Scheibler. Já a ideia para escrever a história surgiu devido ao fato de que meu irmão é portador de necessidades especiais. 

PSICOPEDAGOGIA

A Psicopedagogia nasceu da necessidade de encontrar solução para os problemas de aprendizagem que acontecem no meio educacional. A Psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes, recorrendo aos conhecimentos de várias ciências, sem perder de vista o fato educativo, nas suas articulações sociais mais amplas (SCOZ, 1994, p.12). Antes de iniciar o trabalho como psicopedagogo, é preciso compreender a mente humana. Compartilho algumas curiosidades que tangem esse assunto. Todo o material publicado nesta página é proveniente dos livros oriundos de minha Pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional.

DISCIPLINA DE FUNDAMENTOS BÁSICOS E TEORIA EM SAÚDE MENTAL

DELIRIUM

Os delirium são também chamados de estados confusionais, porque as alterações do nível de consciência constituem um quadro de confusão mental. A alteração orgânica de base nos delirium na maioria das vezes é exterior ao sistema nervoso central. Por conseguinte, não costumam provocar alterações neuroanatômicas no cérebro, apenas causando disfunções neurofisiológicas temporárias.

Os graus de perturbação do nível de consciência são variáveis: · Grau leve - temos apenas uma certa sonolência e dificuldade de concentração. · Grau moderado - os sintomas do grau leve se acentuam, acompanhando-se também de desorientação, primeiro no tempo, e depois no espaço; o paciente passa também a confundir as pessoas; geralmente não se recorda do que lhe ocorreu neste período. Em casos graves, instala-se o torpor, e, enfim, o coma.

 

DEMÊNCIAS

Diferentemente dos delirium, as demências são quadros caracterizados por um prejuízo progressivo da inteligência ou da capacidade intelectual, relacionado à perda também progressiva da memória. Envolvem sempre alterações neuroanatômicas do Sistema Nervoso Central: atrofia difusa do cérebro, perda neuronal no córtex, e outras ainda. Algumas formas de demência, como a doença de Alzheimer, apresentam lesões cerebrais características, como as placas amilóides. As demências costumam manifestar-se, sobretudo – mas não necessariamente – em pessoas idosas. A doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência: 50 a 60% dos casos; seguem-se as demências vasculares, com 10 a 20% dos casos; outras causas, como as doenças neurodegenerativas (de Pick, de Parkinson, de Hutington), ou as massas intracranianas (tumores, abscessos), traumatismos crânio-encefálicos, respondem pelo restante. É importante lembrar que a AIDS pode causar quadros demenciais (MELLO, 2008).

 

PSICOSES

As psicoses constituem, seguramente, os quadros mais interessantes e enigmáticos descritos pela psiquiatria, sendo um campo de estudo de interesse tanto da psiquiatria quanto da psicanálise. A psiquiatria contribui com uma caracterização cuidadosa dos sintomas, e a psicanálise procura situar estes fenômenos no campo da chamada estrutura ou posição subjetiva psicótica (MELLO, 2008; MINAS GERAIS, 2006). Os sintomas mais característicos das psicoses estão marcados pelos traços da incompreensibilidade e da estranheza.

 

ESQUIZOFRENIA

A esquizofrenia constitui a forma mais grave de transtorno mental. Sua prevalência é calculada entre 1,0 e 3,0% da população em geral. É rara antes dos 10 anos e depois dos 50; com grande frequência, inicia-se na adolescência ou na idade adulta jovem (MINAS GERAIS, 2006). A esquizofrenia é um transtorno mental que se inicia, geralmente, no fim da adolescência ou início da idade adulta, caracterizando-se pela presença de sintomas psicóticos: delírios, alucinações, desorganizações do pensamento, além de discurso e comportamento inapropriados (MELLO, 2008). Características clínicas da esquizofrenia Geralmente apresenta todos os sintomas elementares descritos, principalmente as vivências delirantes primárias, as alucinações verbais, as alterações da consciência do eu – que são também incluídos entre os sintomas positivos, ou produtivos, da esquizofrenia

Os diferentes tipos de esquizofrenia guardam relação com esta proporção entre sintomas positivos e negativos.

 

Esquizofrenia paranoide – Caracteriza-se pelo predomínio de sintomas positivos. Têm maior facilidade em constituir uma elaboração delirante: costumam procurar e apresentar explicações, mesmo bizarras e fragmentárias, para as vozes, os pensamentos impostos, as vivências delirantes primárias, etc. igualmente, têm maior facilidade de recuperar-se entre uma crise e outra, assim como de preservar sua personalidade e vida social.

 

Esquizofrenia hebefrênica – Mais grave, e de início mais precoce, apresenta uma proporção bem maior de sintomas negativos. Quando atendidos em etapa avançada da doença, não há vestígios de delírios e alucinações. Como não conseguem lidar com esses delírios e alucinações eles ficam vazios, têm pouco a dizer, sua vida psíquica fica caótica ou pobre. Comumente apresentam risos imotivados, os trejeitos faciais, o comportamento pueril e estereotipado, o descuido da higiene e da aparência pessoal.

 

Esquizofrenia catatônica – Mesclados aos sintomas elementares das psicoses já descritos, surgem outros, ligados, sobretudo à esfera psicomotora, que podem ir desde o estupor até a extrema excitação. Esquizofrenia residual (F.20.5) – São chamadas assim as esquizofrenias com forte predomínio de sintomas negativos – geralmente as esquizofrenias hebefrênicas – que evoluem para um quadro grave de autismo, desagregação do pensamento, embotamento afetivo, fala e comportamento estereotipados.

 

PARANOIA

A partir da CID-10 a paranoia passou a ser definida como Transtorno Delirante Persistente, tendo exatamente no delírio, seu sintoma-chave. Não ocorrem alucinações proeminentes ou constantes. É um delírio plausível, como por exemplo, ser traído pelo cônjuge, ser amado por uma pessoa famosa) e não um delírio esquizofrênico (estar em contato com habitantes de outras galáxias). Quanto à sua forma, trata-se de um delírio sistematizado, bem organizado, que explica da maneira mais racional possível a situação em que o paciente acredita encontrar-se (perseguido, prejudicado, etc.). Os paranóicos são figuras que apelam com frequência para a lei e seus representantes: procuram a polícia, a promotoria pública, deputados e outras autoridades, buscando uma reparação para um direito seu que teria sido lesado.

 

TRANSTORNOS SEVEROS DE HUMOR 

Os quadros hoje conhecidos como transtornos severos de humor foram agrupados há mais de um século por Kraepelin como psicoses maníaco depressivas. Kraepelin fez a importante constatação clínica de que mania e depressão são, na verdade, as duas faces de uma mesma moeda – de tal forma que os mesmos pacientes podem apresentar crises ora de baixa, ora de elevação do humor. Estas baixas e elevações do humor, quando graves, constituem exemplos típicos das alterações dos sentimentos vitais. Nos transtornos severos do humor, constituem a alteração nuclear – podendo ou não acompanhar-se de delírios, de alucinações e de alterações da consciência do eu. Além dessa característica semiológica, os transtornos de humor têm uma característica evolutiva importante: evoluem por fases, em cujos intervalos o paciente recupera toda a integridade psíquica anterior ao seu adoecimento.

MELANCOLIA

Pertencente ao grupo das psicoses, o quadro de melancolia ou episódio depressivo grave tem alguns matizes qualitativos próprios que merecem muita atenção para não serem confundidos com o modismo da “depressão”. A diferença, portanto, não é a intensidade da depressão. Deve-se caracterizar a tristeza vital, como diz o psiquiatra francês Henri Ey (1978), é uma depressão “monótona, profunda, resistente às solicitações exteriores”, com impressão de anestesia afetiva. Diferentemente da depressão neurótica, em que o próprio paciente pede ajuda, seja procurando tratamento, seja tentando comover seus familiares e amigos, o melancólico não está interessado em sensibilizar ninguém: tem pouco ou nada a dizer, como se lhe faltassem palavras para expressar o profundo desânimo que o acomete. Desse núcleo da tristeza vital, decorrem os outros sintomas do quadro clínico: severa inibição psicomotora, apatia, desinteresse, alheamento, ideação suicida. O episódio depressivo grave pode ou não ser acompanhado de sintomas como delírios e, mais raramente, alucinações e alterações da consciência do eu. Quando o delírio está presente, costuma ter um conteúdo de auto-acusação: o paciente sente desprezo por si mesmo, acusa-se de erros, pecados, ou mesmo crimes que teria cometido, acredita que será punido seja pela ruína financeira, pela morte, pela doença, pela condenação eterna, ou qualquer outro castigo terrível; algumas vezes, chega a achar que já morreu. Mania (F30) É o avesso da melancolia: constata-se uma exaltação vital bastante característica. O paciente fala sem parar, mal escutando o que lhe dizem, e mudando rapidamente de um assunto para o outro (fuga de ideias). Age como se fosse todo-poderoso – por exemplo, adquirindo bens muito acima de suas posses. Toda sua vida psíquica encontra-se acelerada, o que se revela nos gestos, na mímica, na fala. A sexualidade e o apetite costumam achar-se tão exacerbados quanto estão inibidos na melancolia (MINAS GERAIS, 2006).

 

TRANSTORNO BIPOLAR

Apresenta alternâncias entre crises de mania e de melancolia, geralmente com intervalos de recuperação da integridade psíquica entre eles. Quando atendemos um paciente em mania ou melancolia, é importante pesquisar se já apresentou antes o quadro oposto; e também observar se virá a apresentá-lo ao longo de sua evolução posterior.

 

NEUROSES

Uma vez que foi a partir de Freud que surgiram os estudos ou pesquisas que definem os pacientes neuróticos, é imprescindível recorrer aos conceitos psicanalíticos, como inconsciente, transferência, pulsão, e outros. Seguindo a tradição psiquiátrica, a distinção entre neuroses e psicoses corresponde àquela que Jaspers (1979) traçou entre processos psíquicos e desenvolvimentos anormais da personalidade. Sob este ângulo, podemos dizer que os sintomas e as vivências neuróticas são psicologicamente compreensíveis – ou seja, considerando a história de vida da pessoa, suas vicissitudes e suas experiências, seu contexto social e familiar, podemos compreender por que, no desenvolvimento da sua personalidade, ela sofre um certo desvio de rota, ou seja, tende a apresentar, de forma exacerbada e prejudicial para sua vida, certos sentimentos, pensamentos e atitudes que também se encontram na vida psíquica normal (MINAS GERAIS, 2006).

DISCIPLINA DE CIÊNCIAS NEUROLÓGICAS

Neurociência trata do desenvolvimento químico, estrutural e funcional, patológico do sistema nervoso.

MEMÓRIA DE LONGO PRAZO

A memória de longo prazo armazena as informações por um longo período, mas a capacidade de armazenamento é limitada. Pode ser dividida em Declarativa e Não declarativa. A primeira é a memória para fatos e eventos, reúne tudo que podemos evocar por meio de palavras. A segunda é aquela para procedimentos e habilidades. ü Pode ser de Procedimentos quando se referir às habilidades e aos hábitos, como, por exemplo, dirigir e nadar. ü Pode ser de Dicas quando for evocada, resgatada por meio de dicas, como acontece quando ouvimos sons ou sentimos algum odor que nos lembram de uma situação há tempos vivida. ü Será Associativa quando nos fizer associar um determinado comportamento a um fato. Um bom exemplo é quando salivamos ao ver um prato apetitoso e lembrarmos o quanto é saborosa aquela comida e, naturalmente, nosso organismo responde a essa lembrança.

 

MEMÓRIA DE CURTO PRAZO

A memória de curto prazo não forma “arquivos”. Nela, guardamos informações que serão utilizadas dentro de pouco tempo. Logo após sua utilização, esquecemos os dados nela armazenados. Exemplo: Local onde estacionou o carro; o conteúdo decorado para uma prova. envolver eventos datados, isto é, relacionados ao tempo. E, será, Semântica quando envolver o significado das palavras ou quando envolver conceitos atemporais (NETTO, 2006)

 

Apesar do nosso cérebro ser divido em dois hemisférios, não existe relação de dominância entre eles, pelo contrário, eles trabalham em conjunto, utilizando-se dos milhões de fibras nervosas que constituem as comissuras cerebrais e se encarregam de pô-los em constante interação. O conceito de especialização hemisférica se confunde com o de lateralidade (algumas funções são representadas em apenas um dos lados, outras no dois) e de assimetria (um hemisfério não é igual ao outro). Segundo Lent (2002), o hemisfério esquerdo controla a fala em mais de 95% dos seres humanos, mais isso não quer dizer que o direito não trabalhe, ao contrário, é a prosódia do hemisfério direito que confere à fala nuances afetivas essenciais para a comunicação interpessoal. O hemisfério esquerdo é também responsável pela realização mental de cálculos matemáticos, pelo comando da escrita e pela compreensão dela através da leitura. Já o hemisfério direito é melhor na percepção de sons musicais e no reconhecimento de faces, especialmente quando se trata de aspectos gerais. O hemisfério esquerdo participa também do reconhecimento de faces, mas sua especialidade é descobrir precisamente quem é o dono de cada face.

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